quarta-feira, 7 de novembro de 2012

De igualdade e revoluções animais

Quando Marx, ainda no Século XIX, começou a difundir suas ideias sobre a diferença de classes sociais, suas relações e a ambição da igualdade entre estas, criando as bases do socialismo (que depois, com Engels, foi aprimorado), houve um mal estar entre os países da Europa Ocidental (a maioria ainda tinha como forma de governo a Monarquia).

Já no começo do Século XX, a Rússia acabou sendo palco de uma revolução que levou o proletariado ao poder, criando-se assim a primeira república socialista da história, que novamente gerou desconfiança entre os demais países europeus, bem como o apoio destes aos dissidentes que tentaram derrubar o governo revolucionário que tinha Lênin e, depois, Stalin à frente. Os rumos dessa república, a história nos conta e eu não vou entrar em detalhes aqui.

Já na década de 1930, na Espanha, uma guerra civil colocou em lados opostos as forças fascistas de Franco e as forças nacionalistas, que era uma colcha de retalhos, tendo de capitalistas liberais até comunistas ortodoxos. Assim como os alemães e italianos apoiaram as forças franquistas, pessoas de diversas nacionalidades e por diversos motivos se uniram aos nacionalistas nas Brigadas Internacionais.

Todo esse preâmbulo foi colocado para explicar que George Orwell, inglês, e sua esposa integraram as Brigadas Internacionais na região da Catalunha, sob o comando de comunistas. Lá eles presenciaram toda a atrocidade da guerra, fossem elas perpetradas pelos adversários, fossem pelos seus superiores. Quando retornou à Inglaterra, Orwell passou um tempo no interior, para se recuperar dos males causados pelo espectro da guerra, foi nessa época que ele começou a planejar um livro onde contaria sua visão do socialismo, para desmistificar o governo de Stalin e exorcizar alguns acontecimentos que presenciou em Barcelona.

Ele não queria uma história demonizando o regime, mas apenas mostrar que apesar de toda a base teórica, a prática acabava sofrendo desvios e, mesmo se proclamando iguais, havia opressores e oprimidos. Durante suas caminhadas pelas estradas rurais inglesas, Orwell começou a observar os animais e como eram tratados (numa época em que direitos dos animais não eram nem mesmo um embrião) e teve a ideia de fazer os bichos ganharem voz e personalidade, fomentando eles uma rebelião onde tomariam uma propriedade rural e implantariam uma forma alternativa de governo.

Por muitos motivos a obra só foi terminada após o fim da II Guerra Mundial, ela mostrava que diversos animais (uma alegoria para as diversas classes sociais) haviam se unido e expulsado os humanos de uma granja, tomando o poder local. Logo eles se organizam, criam uma espécie de constituição (os sete mandamentos do animalismo), adotam um hino e começam a trabalhar para melhorar a vida de todos ali. A história vai passando e diversas analogias com o governo stalinista vão se descortinando, ações como exílio, perseguição e expurgo de rivais, alteração da história, culto à pessoa do líder, mas num determinado momento os paralelos deixam de existir, levando tudo a um encerramento insólito, quando uma determinada raça de animais acaba se humanizando, ficando ela bastante parecida com aqueles que eram considerados o grande inimigo dos animais.


Quando foi lançada, A Revolução dos Bichos causou um grande desconforto aos governos vencedores da II Grande Guerra, pois a, já chamada, União Soviética fora uma aliada importantíssima contra as forças do Eixo e as analogias acabavam ridicularizando seus líderes, posteriormente, com a guerra fria, o mesmo livro acaba sendo usado como arma ideológica pelos EUA e seus aliados, sendo que até hoje, em alguns países como China e Coreia do Norte, a publicação é proscrita.

É uma leitura envolvente, sabendo-se guardar os exageros e as discrepâncias, de uma visão particular de um determinado período da história mundial.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

De uma nova trilogia

Tem uma semana que a grande notícia do mundo do cinema foi a compra da Lucas Filmes pela Disney, ou seja, o universo Star Wars passou para as mãos da empresa do Mickey e o anúncio de uma nova trilogia.

Muita gente achou ruim por acreditar que a saga será infantilizada, associando a Disney às produções infantis, isso virou mêmes na websfera, inclusive eu me diverti muito com isso. Mas ainda assim eu não tenho uma opinião sobre o futuro da saga.

Quer queira ou não, a Disney é competente no que faz, pelo menos a grande maioria de suas produções são bem sucedidas. E agora eles têm todo o império tecnológico que George Lucas criou ao longo dessas três décadas.

Mas o que me motivou a escrever sobre isso é uma notícia que já está circulando no mundo Nerd, fontes não divulgadas já falam que não será uma, mas sim duas trilogias, e que o título provisório do primeiro filme já teria sido definido, seria Star Wars VII – A New Dawn (numa tradução literal Guerra nas Estrelas VII – Um Novo Amanhecer).

Agora, resta aguardar a confirmação ou não dessas notícias.

domingo, 4 de novembro de 2012

De armadilhas e proteção

Um mundo hoje a tecnologia evoluiu de forma diferente, onde a magia é algo normal, onde ursos usam armaduras, feiticeiras existem e a descoberta de inúmeros mundos que formam um Multiverso. Isso tudo é a trilogia Fronteiras do Universo (A Bússola de Ouro, A Faca Sutil e A Luneta Âmbar).


Aproximadamente dois anos após o final da aventura no multiverso, encontramos a protagonista Lyra Belacqua (Língua Mágica) na sua vida rotineira de estudos na cidade inglesa de Oxford.

As coisas começam a mudar quando um dimon de uma feiticeira aparece pedindo-lhe ajuda para chegar até um determinado morador da cidade. Lyra, solícita, resolve ajudar o dimon, mas à medida em que começa a observar o ambiente que a cerca começa a desconfiar de um grande perigo.

Com presença de espírito e determinação, ela e seu dimon, Pantalaimon, acabam resolvendo um pequeno problema e descobrem que apesar da grande aventura no multiverso ter se findado, ela ainda corre riscos e que sua cidade zela por sua segurança.

De cavaleiros, andróides e monstros

Quando eu li o primeiro livro dessa série (provavelmente uma trilogia, já que até agora só foram lançados dois livros), eu fiquei bastante descrente sobre a sequência obra.

Achei o enredo do primeiro livro simples e com muitos momentos forçados, mesmo tendo diversas qualidades. Bem, confesso que o segundo livro me surpreendeu positivamente, afinal Crônicas dos Senhores de Castelo – Efeito Manticore mostrou boa evolução de trama e enredo.


Ainda deixa um pouco a desejar com diálogos, mas eles já não são tão superficiais, a forma como são feitas as viagens interplanetárias foi muito bem construída, os mistérios que envolvem a missão (que surge de forma inesperada) são condizentes, mas o principal, os grandes desafios que os esperam no desconhecido planeta Breasal são o trunfo da história.

Há um crossover no livro, com personagens do livro A Ira dos Dragões, livro que não conheço e nada posso falar a respeito, o que torna esse um fato até agora único, já que o cruzamento de personagens de várias publicações, que é algo relativamente normal nas Histórias em Quadrinho, aparentemente nunca aconteceu na literatura, mesmo na literatura de fantasia. O mais próximo que temos disso é a publicação As Aventuras da Liga Extraordinária, mas isso é história em quadrinhos e que, posteriormente, foi adaptada para o cinema.

Os personagens continuam carismáticos, destemidos e não vacilam em entrar em combate quando o perigo se avizinha. Seus poderes são melhor explicados e, em alguns casos, até evoluíram, tudo torna o livro fácil de ler. E o gancho para o terceiro livro é de tamanho gigantesco, devemos aguardar o, eu espero, breve lançamento das novas aventuras a serem narradas nas Crônicas dos Senhores de Castelo.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

De orientações especiais de voo

Todo mundo que já viajou de avião pelo menos uma vez já ouviu aquela ladainha das orientações de voo. Apertem os cintos, desliguem os celulares, computadores e qualquer coisa elétrica, etc.

Os procedimentos são importantes e essenciais para a segurança durante o voo, mas não deixa de ser uma chatice, já que quase nunca varia o discurso, não importando qual a companhia aérea que você esteja (eu já viajei por três companhias aéreas diferentes).

Quer dizer, era tudo igual, agora existe uma que é diferente.

A Air New Zealand fez um acordo com Peter Jackson e com a produtora da trilogia O Hobbit e agora exibe um filme de orientações com os funcionários e passageiros caracterizados como personagens da Terra Média.

Realmente, a parte de propaganda e marketing do filme está dando uma aula atrás da outra de como se deve promover um filme. Chega logo dezembro.