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sábado, 16 de junho de 2012

De lendas no exílio

O que você pensaria se aquela sua bela vizinha fosse uma princesa de um reino esquecido?

E aquele homem carrancudo que você encontra na rua fosse, na verdade, um lobo vivendo sob efeito de magia para que você não veja sua verdadeira natureza?

Essa é a proposta da série de quadrinhos Fábulas, de Bill Willingham.

No Reino da Fantasia, diversos mundos começam a ser tomados à força por um personagem misterioso conhecido como O Adversário.

Um personagem cuja identidade é desconhecida e que possui um exército composto por monstros, ogros e outros seres malvados, que vem invadindo terras com nenhuma ou quase nenhuma resistência.

As diversas personagens de conhecidas fábulas são obrigadas a partir para o exílio na Terra dos Mundanos (nós), e fazem de sua morada um bairro na cidade de Nova York (Terra das Fábulas).

Como nem todos tem a aparência humana ou tem posses para adquirir uma magia que os façam parecerem humanos, muitas dessas personagens acabam sendo alojados numa propriedade rural, apropriadamente conhecida como A Fazenda.

Nesse exílio, contado nas páginas da série, vemos conviverem lado a lado, Bigby Lobo (O Lobo Mau), Branca de Neve, A Bela e A Fera, e outras fábulas mais ou menos conhecidas.

Conhecemos suas dificuldades de adaptação, suas novas funções nessa sociedade impensada, alianças políticas e ao mesmo tempo suas preocupações com a possibilidade de serem descobertos pelo Adversário.

Para tanto criam um governo paralelo, onde o Rei Cole é o mandatário principal, assessorado por Branca de Neve (quem realmente governa o local) e a Lei e a Ordem são mantidas por Bigby Lobo (o Xerife).

A série é publicada em encadernados no Brasil, já se encontrando no décimo primeiro volume, e tem, pelo menos, mais seis volumes para ainda serem lançados, onde segredos são revelados e tudo caminha para um confronto final contra o Adversário (um personagem cuja identidade surpreende a todos).

Uma visão interessante de personagens seculares.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

De cores, gatos e fábulas

O que ou como você se sentiria se seus sentimentos fossem coloridos e sua pele mudasse de cor de acordo com o que está sentido?


Mas não o sentimento superficial, aquele momentâneo, aqui, o sentimento que mudaria sua cor é o predominante, aquele que você mais cultiva, seja o amor, seja o ciúme, seja a inveja ou qualquer outro.

Essa é fábula contada com maestria por Vojtech Jasny, “Um Dia, Um Gato” (Az Prijde Kocour), de 1963.

Na antiga Tchecoslováquia comunista, em uma cidade um mágico aporta, trazendo a tiracolo um gato misterioso.

Esse bichano só é visto usando um par de óculos, para assim inibir seu dom.

Apenas na apresentação de seu número é que o mágico retira os óculos do gato, que começa a revelar os sentimentos profundos da plateia e a aflora-los, através de suas cores.

Essa revelação trás muita confusão, mostrando o temor dos adultos em ter seus segredos revelados, mas maravilha as crianças, que passam a gostar mais ainda do bicho.


São 91 minutos de fantasia e lirismo, uma flor delicada que desabrochou no mundo cinza da antiga Cortina de Ferro.