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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

De 50 quilos de encrenca, diversão, fidelidade e amor

Nem me lembro de quando eu queria ler esse livro, mas o fato é que eu olhava o preço dele e optava por outro que tinha custo benefício melhor, às vezes pagando mais caro por um livro que eu julgava ter mais diversão e imaginação, e ele sempre ficava relegado.

Até que veio a última Black Friday e eu achei que o preço estava interessante.


Eu já havia assistido ao filme que havia se originado da história e gostei, sabia que não era um filme para concorrer a prêmios, era só uma comédia despretensiosa que narrava àquela história verídica.

Uma história de como uma família passou momentos de confusão e amor por um animal totalmente destrambelhado. Um animal voluntarioso que tinha pouca ou nenhuma noção de sua força, tamanho e disposição. Um animal que foi fiel aos seus ‘pais’ humanos até o final da vida.

Para quem gosta de cachorros é praticamente impossível não ter empatia por esse livro e seu protagonista, esse labrador atrapalhado e encrenqueiro que, descrito por John Grogan, acaba abocanhando o coração do leitor que nunca o conheceu.

A narrativa é simples, fácil e muito bem humorada, gerando muitos momentos de risos e gargalhadas incontidas, mas vai ganhando contornos de drama quando Marley vai chegando ao ocaso da vida, quando começa a sofrer e enfrentar os desafios da idade, quando começa a ceder ao peso dos anos.

Eu deveria ter escrito sobre ele desde terça-feira, quando terminei o livro, mas esse é daqueles que a gente tem que digerir bem o que leu antes de falar dele, e posso dizer que o sorriso no canto da boca ao me lembrar de passagens do livro me garante que é um livro para reler, principalmente quando você precisar levantar o astral.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

De desenhos e reais

Como é engraçado, a gente conhece o Snoopy desde a infância, cachorrinho simpático, engenhoso, cheio de artimanhas e um excelente aviador da 1ª Guerra Mundial.

Mas os desenhos dele são cartunescos, fica difícil identificar a raça a qual ele pertence, e pior fica depois que a gente conhece a raça, com exceção da pelagem ele em nada lembra o Beagle.

É, para quem não sabe, o Snoopy é um Beagle.

Agora a gente vê esse cachorro que sempre foi associado à caça, que tem um perfil e comportamento agitado, cheio de disposição para correr, fazer buracos e brincar e olha o personagem calmo, tranquilo que não se abala com quase nada, só mesmo a disposição dele para dançar lembra em alguma coisa sua versão real, fica ainda mais difícil de fazer a associação, mas aí entra a licença poética, afinal, é um desenho e o Snoopy é único.

terça-feira, 3 de abril de 2012

De lembrança de cachorro

Está para fazer oito anos que aqui em casa não tem cachorro, uma eternidade se levar em conta que eu sou cachorreiro, adoro cães.

Os motivos que levaram a ninguém querer adotar um novo cachorro são vários e não interessa discutir isso agora.

Agora, posso dizer que o Luan (é, esse era o nome dele e para mim, sempre que ouço esse nome, eu associo a cachorro, nunca a humanos) era de uma personalidade única.

Ele era SRD, misto de fox paulistinha com outra raça indefinida.

Não era “neura”, daquele que late para a própria sombra, tinhas dias que você só se lembrava dele se ele estivesse com fome e te procurasse para ganhar comida, pouco latia, gostava de ficar em algum lugar da casa ou do quintal, deitado, na dele.

Ele era rueiro, se alguém bobeasse e deixasse o portão da rua aberto, ele passava horas explorando a vizinhança, voltando para casa totalmente esgotado de tanto perambular por aí.

Quando mais novo aprontava todas, arrancava plantas, mastigou um pacote de erva mate, ele saiu tossindo e espirrando, engasgado com as folhas da erva.

Uma característica que me chamou a atenção, o gosto musical dele.

Parece piada, mas ele gostava de jazz, com bastante instrumento de sopro, tipo Charlie Parker, Dizzy Gillespie, ou outro saxofonista ou trompetista.

Muitas vezes eu colocava algum CD desses artistas para escutar, enquanto lia, ele não tinha dúvidas, vinha e se deitava ao lado da caixa de som, ficava ali com um sorriso no focinho (como o da foto abaixo), mas se eu mudasse para outro gênero musical, Rock, Blues, MPB, ele, sem cerimônias, se levantava e ia deitar no quintal.

As memórias vêm e vão, por isso não há uma organização ou ordem cronológica, isso não importa, o que vale é a lembrança.

Talvez essa característica seja um dos motivos de ninguém adotar outro cão aqui, dificilmente apareceria um com tanta personalidade.