Realmente esta cidade é diferente de grandes capitais.
Conseguimos ver animais silvestres na cidade com facilidade, sejam araras, tucanos, capivaras.
A proximidade do Pantanal é responsável e facilitadora, mas ao mesmo tempo é preocupante, afinal, quando animais silvestres se encaminham para centros urbanos, para a proximidade de contato com o homem é sinal que a mata não está suprindo suas necessidades, seja abrigo, seja alimento.
Já tem algum tempo que eu observo um gaviãozinho que passou a morar próximo ao aeroporto da cidade.
Um predador que, com certeza, achará algumas presas nos arredores de seu novo habitat, sejam pequenos mamíferos, seja alguma ave menos precavida.
A pergunta que fica é: “Será que até os predadores estão encontrando dificuldades em seu habitat natural?”
Estava de bobeira hoje, entrei no “seo” Google e resolvi pesquisar imagens do Pantanal, atualizei o Tumblr com várias fotos.
Quem olha assim até acha que eu gosto do mato.
Como diz Zé Geraldo, eu sou “demasiadamente urbano”.
Mas não nego que muitas vezes, olhando essas imagens, dá vontade de passar um fim de semana no Pantanal (ainda bem que a vontade passa rapidinho).
Mas aí eu me lembrei de uma história, dos anos 1980, envolvendo música e o Pantanal.
Não lembrava a data (“seo” Google me salvou de novo), foi no ano de 1985 para 1986, Almir Sater, Paulo Simões, Zé Gomes, todos músicos, se juntaram ao pesquisador Zuza Homem de Melo e ao fotógrafo Raimundo Alves Filho e resolveram, todos, seguir para o Pantanal.
Eles se uniram a uma comitiva pantaneira, para fazer o transporte de gado à moda antiga, cruzando o Pantanal.
Dessa aventura surgiu um documentário, Comitiva Esperança, dirigido por Wagner Carvalho, um filme curta-metragem de aproximadamente 50 minutos, que conta a história dessa viagem.
A película teve diversos prêmios de trilha sonora e fotografia em festivais e mostras de cinema, além de trazer à luz uma bela música da parceria de Almir e Paulinho, que trago a letra aqui abaixo.
COMITIVA ESPERANÇA (Almir Sater e Paulo Simões)
Nossa viagem não é ligeira, ninguém tem pressa de chegar
A nossa estrada, é boiadeira, não interessa onde vai dar
Onde a Comitiva Esperança, chega já começa a festança
Através do Rio Negro, Nhecolândia e Paiaguás
Vai descendo o Piqueri, o São Lourenço e o Paraguai
Tá de passagem, abre a porteira, conforme for pra pernoitar
Se a gente é boa, hospitaleira, a Comitiva vai tocar
Moda ligeira, que é uma doideira, assanha o povo e faz dançar
Oh moda lenta que faz sonhar
Onde a Comitiva Esperança chega já começa a festança
Através do Rio Negro, Nhecolândia e Paiaguás
Vai descendo o Piqueri, o São Lourênço e o Paraguai
Ê, tempo bom que tava por lá,
Nem vontade de regressar
Só vortemo eu vô confessar
É que as águas chegaram em Janeiro,
deslocamos um barco ligeiro
Fomos pra Corumbá
É engraçado, eu não estou com a mínima inspiração, já li, escutei música e nada, mas a gente acaba se incomodando com algumas coisas.
Escutando Sonhos Guaranis, aliás, vendo um vídeo no Youtube, vi pelo menos dois erros grotescos nas imagens feitas pelo camarada que se deu ao trabalho de fazer o vídeo, não, eu não vou colocar esse vídeo em específico aqui e propagar o erro, o vídeo vai ser uma apresentação ao vivo do Almir Sater.
Erros históricos, como culpar Solano Lopez pela guerra, quando hoje em dia todo mundo sabe que houve uma grande intriga política por trás da guerra, erros geográficos, a música quando foi composta, em 1977, o Estado de Mato Grosso não era dividido, mas a parte que a música se refere que era parte do Paraguai estava ao sul do Estado, hoje terras sul-mato-grossenses, um pouco de pesquisa mostraria isso tão fácil, mas é mais fácil incorrer no erro propagado.
E olha que eu estou acostumado com o povo falando besteira do tipo: “verdade que quando você anda nas ruas da cidade acaba vendo onças e jacarés andando livres?” Para, né? Mesmo que todo o estado fosse tomado pelas terras do Pantanal, esses bichos tem inteligência para evitar contato com seres humanos, só quando não há outra alternativa eles acabam “invadindo” as cidades, não só aqui, mas em qualquer estado, basta ver os noticiários onde mostram animais selvagens sendo localizados dentro de casas ou em lojas, onde vão parar porque são expulsos de seu habitat natural.
O pantanal “mato-grossense”, epa, para lá, mais de dois terços do território pantaneiro está localizado no Mato Grosso do Sul, o correto é pantanal sul-mato-grossense.
Tem muito mais para eu reclamar, mas vou parar de ser ranzinza e deixar a música para vocês.
E, sim, eu nasci na terra onde o Brasil foi Paraguai, eu nasci em Ponta Porã.
Sonhos Guaranis Almir Sater
Mato Grosso encerra em sua própria terra
Sonhos guaranis
Por campos e serras a história enterra uma só raiz
Que aflora nas emoções
E o tempo faz cicatriz
Em mil canções
Lembrando o que não se diz
Mato Grosso espera esquecer quisera
O som dos fuzis
Se não fosse a guerra
Quem sabe hoje era um outro país
Amante das tradições de que me fiz aprendiz
Em mil paixões sabendo morrer feliz
E cego é o coração que trai
Aquela voz primeira que de dentro sai
E as vezes me deixa assim ao
Revelar que eu vim da fronteira onde
O Brasil foi Paraguai