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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

De narrativas sobre o horror

Eu sei que foi quando eu terminei de ler O Caso de Charles Dexter Ward, só não me lembro se foi no próprio livro ou em alguma página da internet que eu li algo sobre a biografia de H. P. Lovecraft.

Ali eu soube que ele afirmava que suas histórias eram extraídas de sonhos que ele tinha e que era essa a sua principal fonte de inspiração para seus contos. Fossem seus sonhos recorrentes ou não, depois de ler esse livrinho fino que reúne três contos dele, só posso achar que Lovecraft era um caso de tratamento psiquiátrico.


Os três contos, O Horror em Red Hook (também título do livro), Ele e A Tumba (um de seus contos mais famosos), têm uma estrutura similar, muita descrição dos ambientes e dos fatos, além de flertarem com o sobrenatural, não aquele sobrenatural que estamos acostumados (principalmente depois que o cinema de Hollywood inundou as telas com filmes sanguinolentos), mas o sobrenatural alinhavado com o terror psicológico. Onde os elementos que causam o terror ou não são descritos ou tem uma descrição bastante leve, deixando que o leitor delineie suas formas e feições.

Outro ponto em comum é que todos estes contos são narrados em flashback, mostrando sempre a história pelo ponto de vista de um único narrador, que brinca sempre com a forma de descrever as ações.

Um livro para ler com calma e deixar a imaginação trabalhar.

domingo, 19 de agosto de 2012

De quadrinhos e homenagem

Quadrinhos para adultos sempre quis dizer que tinham conteúdo erótico, aliás, apelo, já que conteúdo a grande maioria nunca teve.

Não é o caso de Neonomicon. Sim, ele tem algumas cenas mais voltadas para o sexo, mas o seu conteúdo é rico e o pouco que há de erótico não é apelativo.


Também, convenhamos, Alan Moore constrói seus argumentos com eficiência e qualidade, sem a necessidade de ganchos apelativos, se na história há algum elemento, este foi colocado ali porque fazia parte do todo.

No caso, o todo é o que mais surpreende.

Trata-se de uma grandiosa homenagem a H. P. Lovecraft e sua obra.

Lançada no Brasil como uma grafic novel com 188 páginas, ela originalmente é dividida em duas minisséries, O Pátio (em duas partes) e, o próprio, Neonomicon (em quatro partes), que são intimamente ligadas entre si e trazem impregnadas em cada quadro toda a influência que o universo lovecraftiano poderiam oferecer.

Lá encontramos a linguagem Aklo, os cultos rituais a deuses ancestrais, criaturas abissais (quem se lembrou de Cthulhu?), os túneis quilométricos onde o mal prolifera, a cidade de Salem (que é citada e serve de inspiração para alguns cenários de seus contos), fica difícil enumerar tudo, mas o trânsito é livre para todas as referências.

A grande diferença entre esta obra de Moore e a obra de Lovecraft são os desenhos magistrais de Jacen Burrows, que dão menor margem de imaginação ao leitor, mas ainda assim argumentista e desenhista trabalham de forma que exista espaço para que a imaginação funcione tão bem quanto em um livro, obra para ler e reler.


domingo, 5 de agosto de 2012

De terror psicológico

Só posso dizer que ainda estou tentando assimilar.

Não é uma pancada que você perde a direção, não é um terremoto que te tira do chão, mas você fica perdido do mesmo jeito.

H. P. Lovecraft é um dos baluartes da literatura e isso não aconteceu por acaso.

Ele constrói a trama te dando todas as condições de você visualizar as ações, numa narração quase que jornalística, descrevendo os acontecimentos, o ambiente, a atmosfera.

Ele fornece os ingredientes, mas você tem que mistura-los e molda-los conforme sua imaginação.

Não estou falando de seus contos mais famosos, A Tumba ou O Chamado de Cthulhu, mas de O Caso de Charles Dexter Ward.



Um jovem que começa a investigar o passado e o ocultismo com uma avidez incomum.

Seus passos o levam a uma vertiginosa trilha sobrenatural, arrastando consigo toda sua família e um amigo.

Sua trajetória não foge ao esperado, o que surpreende é como os terrores que se descortinam em suas páginas são trabalhados, com pequenas nuances, muita ambientação sufocante e quase nenhuma descrição de criaturas ou similares, deixando a cargo do leitor e de sua imaginação criar figuras e lugares, de forma a mexer com o psicológico de forma intensa.

Depois que a trama decola você não quer mais largar o livro, não há mais o que dizer.