sexta-feira, 5 de outubro de 2012

De pouca inspiração

Acho que desde a sexta-feira da semana passada eu estava com posts prontos e programados para entrarem no blog.

Aproveitei o tempo ocioso de final de férias para fazer isso, pois sabia que esta primeira semana ia ser complicada, o cansaço que a gente fica ao voltar a trabalhar é curioso. Também aproveitei uma ideia, posts divagando em cima de uma fotografia, alguns textos saíram fáceis, outros nem tanto, alguns eu tenho a autocrítica que saíram fracos, outros eu gostei e me diverti escrevendo.

Hoje estou sem ideia do que postar, por isso estou enchendo linguiça com estas palavras, mas amanhã é sábado e, quem sabe, novas inspirações cheguem.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

De encontro com o inesperado

“…

Não vou esquecer aquele dia. Aquela manhã nevoenta, aquele cheiro de mato molhado. Era final de outono, a maioria das árvores já tinha perdido sua folhas, ficando com um aspecto esquelético. Parece engraçado, mas elas estavam bem apropriadas para um dia das bruxas.

O carro ia devagar naquela estrada de terra. Ela não tinha tantos buracos, mas a neblina e as curvas eram o real perigo, um movimento errado de volante e provavelmente o para-choque abraçaria um tronco.

O carro estava silencioso, só o barulho do motor, pois naquele lugar o rádio não funcionava. Eu me perguntava se alguma tecnologia funcionaria naquele fim de mundo, afastado de tudo e de todos.

Foi numa curva que ele surgiu. Sentado lá. Todo preto. Olhando de forma silenciosa, nem parecia respirar. Não parecia ser soturno, nem assustador, apenas olhava e parecia perguntar: ‘que diabos você está fazendo aqui?’

Quase perdi o controle do carro, o pé foi do acelerador ao freio de forma instintiva.

Ele permaneceu ali, impassível, olhando. Era um belo espécime canino.

Eu segui pela estrada até a sede da fazenda e ele ficou lá, como se nada tivesse acontecido. Não o vi durante toda a minha estadia naquele lugar, terminei o meu trabalho e voltei para a civilização. Provavelmente ele pertencia a algum colono que morava ali perto. Ou, então, foi abandonado por algum desalmado. Não dá para imaginar uma pessoa em condições normais ter abandonado aquele bicho, somente um louco poderia fazer isso.

…”

(Devaneios sobre uma foto de um cachorro numa estrada)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

De diálogo de ficção

“…

Após feroz combate espacial contra invasores de Alfa Centauri, o esquadrão do Cinturão de Órion se aproxima de uma base num satélite próximo, onde há uma base nas nuvens. A seguir um diálogo entre alguns pilotos:

_ Atenção, líder azul para esquadrão azul, manter formação. Aproximação de local para reabastecimento em aproximadamente 15 minutos. Todos atentos ao radar, não queremos um ataque surpresa. Câmbio.

_ Azul 2 para líder azul, motor direito apresenta falhas, não fui atingido por disparos, só pode ser estilhaços na fuselagem, perdendo pressão de fusão. Câmbio.

_ Líder azul para azul 2, consegue manter a formação? Assim que chegarmos ao local de pouso você passa a ter prioridade de pouso. Câmbio.

_ Azul 2 para líder azul, se conseguir manter a pressão de fusão, sim, senhor, consigo manter formação, mas a situação está crítica, o indicador continua caindo, em breve chegará em níveis de alarme. Câmbio.

_ Líder azul para azul 2, coragem, mantenha a formação até o limite, se a pressão não for o suficiente para chegar ao destino, ejete no módulo de sobrevivência e use o sinalizador, assim que reabastecermos voltaremos para o resgate. Câmbio.

…”

(Devaneios sobre uma foto de uma cidade sob neblina)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

De pensamentos aleatórios

“…

‘Hmm, que dor nas costas, aquela cadeira nova está me matando… preciso ir com urgência a um massagista.’

‘Alô, oi amor, parece que o comboio está atrasado, ainda estou aqui na estação…’

‘Será que aquela instrutora vai estar lá hoje?’

‘mais um dia, só mais um dia e eu estou de férias, já não aguento mais essa rotina.’

‘Celular querendo me trollar, acho que vou trocar ele por um iPhone.’

‘Será que dá tempo para eu ler aquela revista? Ela deve estar aqui na bolsa, em algum lugar aqui dentro.’

…”

Obs: nem todos os usuários dessa estação estão representados, a ordem dos pensamentos (fictícios) é da esquerda para a direita.

(Devaneio sobre uma foto de uma estação de trem ou metrô em uma grande cidade)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

De água e pensamento

“…

Essa caminhada valeu a pena, mesmo me deixando tão cansado.

Porque esses lugares têm que ser tão escondidos? Caminhar nessa mata e depois andar nessas pedras escorregadias para chegar aqui (um escorregão e, no mínimo, um osso quebrado), quanto sacrifício.

Agora é deixar essa água lavar o corpo, a alma, repor toda a energia perdida…

Agora preciso me concentrar, esquecer tudo, tentar meditar, olhar minha vida por outra perspectiva, um novo ângulo, entender o momento e o que me fez chegar até aqui.

Acho que essa água caindo, vai ajudar, é como se fosse um mantra, vamos lá, acompanhar esse ritmo, as gotas, escute-as, sinta-as na sua cabeça e nas suas costas, esvazie a cabeça, pare de se preocupar com o exterior, olhe para si…

…”

(Devaneios sobre uma foto de cachoeira)